México, viagem pelo tempo, história, gastronomia e sincretismo religioso Conheça a gama de opções que se tem para visitar, quando se aporta no país mexicano

Programa imperdível no fim de semana é explorar o Passeo de la Reforma, que fica fechada aos domingos para a circulação de pedestres e ciclistas que lotam a via. Foto: Juliana Aragão/DP/D.A Press
Programa imperdível no fim de semana é explorar o Passeo de la Reforma, que fica fechada aos domingos para a circulação de pedestres e ciclistas que lotam a via. Foto: Juliana Aragão/DP/D.A Press

Fazer as malas é simples – roupas leves, sandálias, chapéu e protetor solar. Mas o que nenhum guia de viagens ensina é o mais essencial antes de um roteiro pelo México: prepare o espírito. Num dos países mais culturalmente ricos do mundo, viajar assume a melhor acepção do termo. É preciso estar pronto para uma jornada no tempo, na história, nas tradições, no sincretismo religioso, na gastronomia de ingredientes singulares e numa profusão de belezas de encher os olhos. A nação é um prato cheio para quem busca um turismo mais relaxado, independente, sem muito apego a roteiros. Mas a variedade de atrativos que o México oferece mostra que a vocação natural do país é encantar viajantes dos perfis mais distintos. Praia, ecoturismo, arqueologia, museus de todos os tipos, luxo, compras, artesanato, arte, arquitetura, misticismo – tudo isso forma o caldeirão que faz do México um dos países mais plurais e cheios de encantos para os visitantes.

Passeo de La Reforma

São tantas as opções que é inevitável preterir alguma. E nesse rol dos relegados, a Cidade do México, destino que pareceria dos mais óbvios no roteiro, figurou por muito tempo. Mas essa enorme injustiça começa a se reverter. “Quando o governo faz bem as coisas, a iniciativa privada responde”. A frase é recitada como um mantra pelo Secretário de Turismo do Distrito Federal do México, Carlos McKinley. De uma área insegura, com prédios históricos sem manutenção e cheia de tesouros históricos e culturais pouco explorados, a capital mexicana conseguiu se transformar a ponto de registrar um boom turístico classificado como espantoso pelo secretário nos últimos anos.

Sede dos Jogos Olímpicos em 1968 e das finais da Copa do Mundo em 1970 e 1986, a cidade só conseguiu deslanchar como destino há cerca de dez anos, efeito direto de investimentos massivos para melhorar a infraestrutura na sua área central e na então degradada Paseo de La Reforma, a principal avenida da cidade. A resposta a que se refere McKinley veio na forma de US$ 200 milhões investidos por empreendimentos privados na aéra do turismo imediatamente após a revitalizalação dos 12 quilômetros da via e do centro histórico da cidade – quatro vezes mais que os US$ 50 milhões gastos pelo governo. Os investimentos em seguranca, que, segundo o secretário, conseguiram reduzir em 60% as ocorrências e praticamente eliminaram os crimes praticados contra turistas também foram fundamentais na mudança.

E se o México já é uma caixinha de surpresas para o turista, a Capital Federal sozinha já guarda tamanha diversidade de roteiros capaz de ocupar todo um mês de férias. A cidade, que abriga nada menos que 12 milhões de habitantes – número que pula para 23 milhões se considerada a região metropolitana – parece não se dividir em bairros, mas sim em várias outras cidades com caracterísicas autônomas.

Reserve tempo para conhcer a pé e com calma, e de preferência no fim de semana, o centro histórico e suas edificações suntuosas, como o prédio da Prefeitura e a Catedral Metropolitana. A área, um dos quatro sítios considerados como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, é um dos conjuntos arquitetônicos mais importantes da América Latina e consiste num conjunto de 1.400 prédios, alguns do século XVI.

Como se não bastasse a beleza e a aula de história, o lugar é palco de eventos curiosos que não se anunciam aos olhos do turista. Por conta do solo onde foi erguida a Cidade do México, uma enorme lagoa convertida em aterro, área do centro cede espantosos 10 centímetros ao ano, comprometendo as estruturas dos prédios da área e exigindo enormes esforços tecnológicos e de engenharia para mantê-los em pé. No caso da Catedral, erguida na Praça do Zócalo, exato local onde os invasores espanhóis foram derrotados pelos astecas, a instabilidade do solo fez a edificação entortar. Nos anos de seca, com a escavação de poços ao redor da área, a situação se agrava e a igreja cede 1,58 metro de um dos lados. Nos anos 80, um enorme esforço de restauração é iniciado para salvar o prédio. O plano calculado pelos engenheiros consiste na retirada maciça de terra da parte de baixo de Catedral para compensar o desnível. A ideia funcionou em parte. Depois de anos e de toneladas de material removido, o prédio parou de se movimentar. O motivo: a estrutura topou com a parte superior de uma pirâmide, parte de um dos cerca de 200 mil sítios arqueológicos pré-hispânicos do país, dos quais somente 1.500 foram descobertos.

Outro programa imperdível no fim de semana é explorar o Passeo de la Reforma, que fica fechada aos domingos para a circulação de pedestres e ciclistas que lotam a via. Recentemente, a Capital Federal implantou um projeto de incentivo ao uso de bicicletas, batizado de Ecobici, que permite o aluguel das magrelas em vários pontos da cidade.

Barcos Xochimilco

É pelos canais do bairro de Xochimilco, dentro dos cerca de 2.500 barcos coloridíssimos, que se faz um dos passeios mais inusitados na Cidade do México. Nos barcos, todos batizados com nomes femininos, comemoram-se aniversários, amigos se reúnem e turistas dividem espaço com os locais. Foto: Juliana Aragão/DP/D.A Press
É pelos canais do bairro de Xochimilco, dentro dos cerca de 2.500 barcos coloridíssimos, que se faz um dos passeios mais inusitados na Cidade do México. Nos barcos, todos batizados com nomes femininos, comemoram-se aniversários, amigos se reúnem e turistas dividem espaço com os locais. Foto: Juliana Aragão/DP/D.A Press

E que tal um programa tipicamente mexicano? É pelos canais do bairro de Xochimilco, dentro dos cerca de 2.500 barcos coloridíssimos, que se faz um dos passeios mais inusitados na Cidade do México. Nos barcos, todos batizados com nomes femininos, comemoram-se aniversários, amigos se reúnem e turistas dividem espaço com os locais. Na divertida confusão e no vaivém, circulam embarcações que vendem bebidas, comidas – é possível até almoçar pratos típicos preparados na hora – e artesanato e carregam grupos de mariachis prontos para atender aos pedidos musicais dos clientes.

Casa de Frida

Perto dali – atente, porém, que o conceito de distância numa cidade de proporções imensas significa na verdade não muito longe -, fica o delicioso bairro de Coyoacán, cheio de casas em estilo colonial e ruazinhas pitorescas que por si só valem a visita. Mas as atrações principal do local não são a praça, os restaurantes ou as lojas, mas sim a chamativa casa azul que serviu de morada e ateliê para dois dos grandes expoentes da arte mexicana: Frida Kahlo e Diego Rivera. Mantida exatamente como estava quando os dois artistas viviam ali, a casa hoje abriga boa parte da obra dos dois pintores. Mas o roteiro só se completa com a visita ao Museu Dolores Olmedo, uma casa esplendorosa cercada de imensos jardins, onde está a abrigado o acervo principal da produção de Diego, além de obras de arte colecionadas ao longo da vida de Dolores.

Museu Dolores Olmedo

Enquanto a Cidade do México investe na atração do turismo cultural familiar, Cacún e a Riviera Maya, localizadas uma ao lado da outra na parte caribenha do país, não têm do que se queixar quando se fala em atração de visitantes. Os dois badalados destinos acumulam crescimentos exponenciais nas últimas duas décadas. Só na Riviera Maya, os leitos de hospedagem pularam de 2 mil para 40 mil, com uma expectativa de 3.8 milhões de visitantes em 2012, número um pouco maior do que 3 milhões de turistas anuais que procuram Cancún. Para a diretora de promoção turística da Riviera Maya, Lizzie Cole, a palavra de ordem é trabalhar a diversidade dos dois destinos além do conceito praia e balada.

Praia Cancun

Caribe Mexicano é banhado pela água do azul mais azul que você poderá ver na vida  e não há outra forma de descrever esse tom escandaloso que embasbaca os visitantes na primeira visão do mar caribenho. Foto: Juliana Aragão/DP/D.A Press
Caribe Mexicano é banhado pela água do azul mais azul que você poderá ver na vida e não há outra forma de descrever esse tom escandaloso que embasbaca os visitantes na primeira visão do mar caribenho. Foto: Juliana Aragão/DP/D.A Press

A cerca de duas horas de voo da Cidade do México, o Caribe Mexicano é banhado pela água do azul mais azul que você poderá ver na vida – e não há outra forma de dercrever esse tom escandaloso que embasbaca os visitantes na primeira visão do mar caribenho. Mas se a praia de areia branquinha serve de mote para a visita, basta pôs os pés por lá para descobrir que seus dias não se resumirão a sol e água salgada. “Muita gente que vem para cá nem desfruta da água do mar. Temos grande diversidade natural, rios subterrâneos, paraísos ecológicos, vilas de pescadores, pequenos hotéis boutique, riquezas arqueológicas, SPAs e restaurantes que agradam a vários perfis de visitantes”, aponta Lizzie.

Sitio Maya

De Cancún e da Riviera Maya leva-se cerca de duas horas e meia até Chichén-Itzá, um dos principais e mais preservados sítios arqueológicos da civilização Maya. Possivelmente fundada entre 435 e 455 a.C, a cidade, formada por estruturas colossais como a pirâmide de Kukulcán, o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas, e o Campo de Jogos dos Prisioneiros e tida como um grande campo energético e místico, teletransporta automaticamente o visitante em uma viagem no tempo. O ideal é reservar um dia inteiro para explorar com calma todos os detalhes – e as lendas – do local. Fazer uma visita guiada também é indispensável para ser ter noção da dimensão dos conhecimentos e do legado dos Mayas.

Golfinhos

Para fechar o roteiro, um grand finale: guarde um restinho de energia e disposição para um dos programas mais divertidos em Cancún, o nado com os golfinhos. É preciso atravessar do continente até Isla Mujeres, onde fica a Dolphin Discovery, onde os simpaticíssimos e exibidos mamíferos são treinados para interagir com os visitantes, para experimentar a sensação de ser criança outra vez.

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