Que nem Gonzaga

Centenário de Luiz Gonzaga não poderia passar em branco, logo no Gastrô. Para isso, convidamos seis experts para transformar suas músicas em pratos, de dar água na boca

Jiló recheado com camarão foi a transformação de César Santos. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press  (Paulo Paiva/DP/D.A Press)  
Jiló recheado com camarão foi a transformação de César Santos. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
Claudemir Barros recriou a Festa do milho. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press (Bernardo Dantas/DP/D.A Press)  
Claudemir Barros recriou a Festa do milho. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press

Luiz Gonzaga era bom de boca. Cantou o baião de dois. Amargou, que nem jiló, de saudades do amor e até vestiu uma roupa, para colocar na noite de São João, feita só com comidas da região, o Linforme instravagante. “Ele adorava comer. Mesmo sem saber cozinhar, reclamava diretamente com o cozinheiro quando a comida estava fria, mal temperada ou malfeita, e ainda tinha o topete de dar conselhos culinários”, revelou a biógrafa Dominique Dreyfus em a Vida de viajante: a saga de Luiz Gonzaga (Editora 34, São Paulo, 1996).

De infância pobre, na Serra do Araripe, Seu Lua penou, desnutrido. Quando enricou, só queria a mesa farta, o bucho cheio. Amava a culinária nordestina. Provou isso durante toda a sua carreira de compositor, quando tornou a comida tema de inúmeros sucessos. Em pleno centenário, comemorado no próximo dia 13, o Gastrô vem homenageá-lo com uma edição temática. Bem ao seu gosto. Para tanto, convidamos seis chefs para reproduzir suas músicas em receitas com terroir local.

“Luiz Gonzaga está em todos os lugares da casa. Quarto, sala, cozinha”, acredita César Santos, que, assim como o Rei do Baião, mergulhou no Nordeste para compor a sua arte. Os trabalhos de ambos se encontram no Jiló do baião, prato inspirado na música Que nem jiló, gravada em 1949. Mas, diferente do que cantou Seu Lua, o fruto não amargou nas mãos do chef. Camarões lhe conferiram sabor. Já a “sustança” que Gonzagão tanto buscava nos pratos, sinalizada pelo amigo e jornalista Assis Ângelo, em algumas publicações, vem em um prato de Claudemir Barros, a Galinha de milho – um combinado de coxa de frango, farinha e o personagem principal da Festa do milho (1963).

Mas Gonzaga foi além do Sertão. A fama chegou até aos ouvidos de Yoshi Matsumoto que, vindo do Japão,  em 1960, disposto a disseminar a culinária oriental, rendeu-se à regional. Nesta edição, tirou a toque blanche para o Rei do Baião ao compor o Bife do olhinho – com queijo de coalho, charque, mel de engenho e shoyu – sob a música Ovo de codorna (1972). De comer cantando.

Fonte:http://www.pernambuco.com/app/noticia/gastro/45,31,46,52/2012/12/07/interna_gastro,411722/que-nem-gonzaga.shtml

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